Linguagem Corporal: Ajudando
seu velame a abrir melhor
Muitos fatores determinam a forma que seu
velame abre. O desenho do velame e a forma
que é dobrado são dois importantes fatores;
mas a posição do corpo, também, desenvolve
um papel importante. Nós aprendemos a comandar
nossos velames em uma posição básica e estável
como alunos, e muitos de nós não têm esta
habilidade mais pensada depois disso. Infelizmente
nós, às vezes, desenvolvemos maus hábitos
que têm um efeito negativo em nossa abertura.
Mesmo depois de fazer milhares de saltos,
as pessoas vêm sendo surpreendidas em descobrir
que apenas poucos pequenos ajustes em sua
posição corporal, durante o comando, pode
melhorar significativamente sua abertura.
Este artigo é sobre o comando do pára-quedas,
uma das mais importantes coisas que faz
em todo salto. Poderá ser uma boa idéia
praticar estas técnicas no chão antes de
tentá-las no ar. Você poderá tentar fazer
um salto sozinho e tentar alguns comandos
práticos usando estas técnicas, antes de
realmente chegar o tempo de comandar.
Se você não é um pára-quedista categoria
A ainda, ou recentemente pegou sua categoria
A, deverá discutir este artigo com seu instrutor
antes de tentar qualquer coisa que ler aqui.
Ele, ou ela poderá desejar sua concentração
em habilidades mais importantes, como controle
de altitude e estabilidade básica; ao invés
de adicionar algo novo na sua seqüência
de comando.
Sem necessidade de velocidade
A velocidade que você está caindo, quando
comanda seu velame, pode ter um grande efeito
nas forças geradas durante a abertura. Enquanto
sua velocidade aumenta, estas forças igualmente
aumentam. Muitos velames atuais são desenhados
para abrir relativamente lentos e alguns
não irão ser afetados substancialmente pela
pequena velocidade extra no tempo de comando.
Alguns pára-quedistas acham mesmo que seus
velames abrem melhor quando caem um pouco
mais rápido. Embora isto não seja algo garantido.
Maiores velocidades podem não causar que
seu velame abra mais duro, enquanto estiver
todo o resto direito; mas pequenas variáveis
tendem a criar grandes efeitos em altas
velocidades. Se você apressar sua dobragem
uma vez e deixar as coisas meio desleixadas,
ou se seu velame está começando a sair do
"trim", velocidade extra poderá fazer a
diferença entre uma abertura um pouco bruta
e uma que realmente machuque.
Diminuir a velocidade antes de comandar
poderá prover uma maior "margem de erro"
e reduzir os efeitos que as outras variáveis
têm nas suas aberturas. Diminuir a velocidade
poderá ser de especial ajuda se suas aberturas
são freqüentemente, ou mesmo ocasionalmente
mais rápidas que o desejado.
Posições corporais verticais ou de "freefly",
como "head-down", ou "sit-fly"; permitem
alcançar velocidades muito mais rápidas
que posições planas. Esta velocidade extra
faz com que ficar em uma posição plana e
diminuir a velocidade antes de comandar
é particularmente importante.
Ambos os iniciantes e experientes "freeflyers"
deverão manter isso em mente quando planejam
seus saltos. Mesmo se você não fizer "freefly",
simplesmente um "track" após um salto de
barriga poderá aumentar significativamente
sua velocidade, e você poderá continuar
a achar útil sair do "track" e diminuir
sua velocidade antes do comando.
Para sair do "track", abra seus braços e
pernas e desfaça o selamento um pouco, por
um segundo, como mostrado na

Foto1
Isto
irá ajudar a estancar o excesso de velocidade.
Mantenha seus braços e pernas esticados
e mantenha o corpo um pouco desselado enquanto
faz seu "wave-off", lembrando de olhar se
há outros pára-quedistas em volta. Quando
terminar seu "wave-off" e iniciar o comando,
relaxe de volta a uma seladura natural.
Se feito corretamente não irá ocupar um
espaço significativo de tempo e se tornará
uma parte natural de seu "wave-off".
Onde você está olhando?
Pegue um momento para verificar onde você
está olhando enquanto encontra seu pilotinho.
Se você saltar com uma câmera de vídeo,
assista a algumas aberturas suas nas fitas.
O que você vê no vídeo quando comanda?
Você está olhando para cima no horizonte,
ou para baixo no chão embaixo de você? Você
olha para trás na direção de seu pilotinho
enquanto o alcança? Você olha por cima do
ombro depois de puxar?
Antigos equipamentos de pára-quedismo usavam
pilotinhos de mola ativados por um "ripcord".
Mesmo no final dos anos 90 este tipo de
equipamento continuou sendo usado na maioria
dos equipamentos de aluno.
Aqueles de nós que foram treinados usando
este tipo de sistema foram ensinados a olhar
para o punho antes de pegá-lo. Nós igualmente
fomos ensinados a olhar e checar, depois
de puxar o "ripcord". Olhar por cima dos
ombros modifica o fluxo de ar nas suas costas
e ajuda a tirar a hesitação do pilotinho,
que era comum quando usava pilotinho de
mola.
A maioria dos pára-quedistas graduados usa
pilotinhos principais "hand-deploy" e estes
estão se tornando padrão para treinamento
de alunos também. Mesmo se anos tivessem
passado desde a transição deles para o pilotinho
"hand-deploy" , muitos pára-quedistas graduados
continuam a ter o hábito de olhar para o
punho enquanto o alcança e checar por cima
de um ombro depois que o lançam o pilotinho.
Infelizmente, é quase impossível olhar por
cima do seu ombro e manter os ombros nivelados
ao mesmo tempo.
Olhando por cima do ombro, também vira seu
"container" para um lado.

Foto 2
Enquanto
velames grandes e dóceis de aluno, podem não
se ofender com seus ombros e "container" desiguais,
velames esportivos com maior resposta de comando
ficarão muito mais felizes se você manter
seus ombros nivelados. Tendo seus ombros e
"container" virados, quando o velame é comandado
poderá causar uma abertura fora do eixo, "twists"
de linha e poderá inclusive causar uma abertura
forte.
A maioria de nós tem seus pilotinhos montados
na parte inferior do "container", então tentar
olhar para ele é realmente inútil.
Mesmo se você continua usando um pilotinho
montado no tirante de perna, você provavelmente
não irá ver o comando muito facilmente em
queda-livre. Desde que os pilotinhos "hand-deploy"
são jogados em um espaço aéreo livre, próximo
ao seu corpo, hesitação de pilotinhos raramente
ocorrem e checar por cima dos ombros toda
vez não é necessário.
Algumas pessoas têm o hábito de olhar diretamente
para baixo quando comandam. Isso tende a colocar
você em uma posição de cabeça um pouco baixa,
que poderá aumentar um pouco sua velocidade.
Isso poderá igualmente ampliar a força de
abertura que seu corpo sente, desde que esta
força irá principalmente ser transmitida para
seus ombros quando o velame alcançar o final
das linhas. Igualmente, suas pernas poderão
chicotear por um arco maior quando o velame
sentá-lo em seu equipamento, fazendo sentir
a abertura mais bruta.
Ao invés de olhar para seu punho ou olhar
para baixo no chão, tente levantar sua cabeça
para cima e olhar para o horizonte enquanto
você alcança seu comando principal.

Foto 3
Isso
colocará você em uma posição com a cabeça
mais para cima. As forças de abertura serão
transmitidas mais pra baixo de seu "harness",
ao invés de se concentrarem em seus ombros.
Olhando para o horizonte, igualmente, ajudará
a manter seus ombros e "container" nivelados
enquanto comanda.
Depois de jogar seu pilotinho, traga seus
braços em uma posição de queda-livre neutra
e pense em manter seus ombros nivelados enquanto
a bolsa é extraída do "container".

Foto 4
Você
poderá igualmente empurrar seus quadris um
pouco para baixo e dobrar seus joelhos somente
um pouco, se estiver em um lento movimento
para trás. Isso mantém sua cabeça e parte
superior do corpo alta. No passado, alguns
pára-quedistas recomendavam se "sentar" durante
o comando. Isso poderá funcionar bem se feito
corretamente, mas se sentar muito, ou muito
cedo, há um risco de aumentar sua velocidade,
ou mesmo se tornar instável.
Simplesmente levantando seu queixo, olhando
para o horizonte, selando um pouco mais, e
relaxando suas pernas um pouco; tem um efeito
similar a sentar conscientemente, e você estará
menos propenso a se exceder.
Algumas pessoas que saltam com câmeras montadas
ao lado do capacete acreditam que é necessário
manter suas cabeças baixas enquanto comandam,
para evitar um tirante de bater na câmera.
Isso poderá ser uma questão se tiver ombros
estreitos ou usar seu tirante de peito muito
apertado, deixando menos espaço entre seus
tirantes.
Isso igualmente poderá ser um problema se
sua câmera se estender para um pouco mais
distante da lateral do capacete. É melhor
minimizar este problema mantendo as câmeras
laterais pequenas o suficiente que as linhas
possam correr por ela e livres de protuberâncias
quanto possível. Se estiver convencido que
é necessário manter seu queixo baixo, ao menos
mantenha uma boa seladura e relaxe a parte
inferior das pernas, para manter os ombros
mais altos que seus quadris, e igualmente
concentre-se em manter seus braços e ombros
nivelados no vento relativo.
De volta na sela
Tão logo quanto seu velame traga você pra
vertical no "harness", tente colocar os seus
pés e joelhos juntos para o resto da abertura

Foto 5
Colocando
suas pernas juntas ajuda a manter seu peso
simétrico no "harness" e reduzir as chances
de uma abertura fora do eixo. Isso é especialmente
efetivo se estiver saltando em um velame do
tipo elíptico. Somente o peso de suas pernas
balançando ao redor ou um pequeno deslocamento
de peso no "harness" poderá causar que alguns
destes velames comecem a girar.
Se você pega seus tirantes enquanto o velame
está abrindo é melhor segurar a parte inferior
dos tirantes, logo acima do sistema três-argolas.
Se você segurar os tirantes altos, próximos
aos batoques, você poderá fazer o velame girar
não intencionalmente, puxando um tirante ou
liberando um freio. Se você segurar na parte
inferior dos tirantes, você ainda poderá deslizar
suas mãos rapidamente para direcionar com
os tirantes ou liberando os freios se necessário.
Alguns pára-quedistas tentam manter suas aberturas
no eixo utilizando o direcionamento com seus
tirantes traseiros enquanto o "slider" está
ainda em cima de encontro ao velame. Isso
funciona com alguns velames, mas outros velames
não gostam disso mesmo. Você poderá conseguir
melhores resultados se simplesmente relaxar,
manter-se sentado, concentrar em manter seu
peso simétrico, e esperar até que o "slider"
comece a descer, antes de fazer qualquer correção
com os tirantes.
Veja para onde está indo
Em um curso de primeiro salto nós somos ensinados
a checar nossos velames para ter certeza que
eles abrem corretamente. Embora seja importante,
isso cria também cria um mau hábito. Muitos
pára-quedistas olham para cima em seus velames
tão cedo quanto começam a abrir, e continuam
olhando o velame durante toda a seqüência
de abertura. Algumas pessoas continuam olhando
para cima por mais vários segundos enquanto
colapsam seus "sliders" e liberam seus freios.
Se alguma outra pessoa abrir perto de você,
você poderá apenas ter um segundo ou dois
para reagir, para evitar a colisão.
Olhando fixamente para seu velame por cinco,
ou 10 segundos depois do seu comando, é como
dirigir na estrada olhando para cima no teto
de seu carro.
Felizmente, algumas poucas técnicas ajudarão
a evitar este problema.
Alguns alunos são ensinados a contar em voz
alta enquanto seus velames abrem, dizendo
"sela, alcança, puxa, um mil, dois mil, três
mil..." Se você ainda não faz isso, é um bom
hábito a ser criado e poderá ajudar a manter
o percurso de tempo durante a seqüência de
abertura.
Você irá ouvir e sentir diferentes coisas
durante cada estágio do comando. Um segundo
ou menos depois de você jogar seu pilotinho,
você sentirá a força "snatch" puxando você
no "harness".
Isso é a força do seu do tecido de seu velame
batendo no vento relativo enquanto ele sai
da bolsa de extração. O velame irá então "snivel".
O snivel é a parte da abertura onde seu "slider"
permanece alto na parte inferior do velame,
reduzindo sua velocidade aerodinâmica antes
do velame começar a inflar. Vai continuar
a ter um bocado de barulho de vento durante
o "snivel" e você irá continuar tendo a sensação
de queda. Isso poderá durar por um segundo
ou dois, ou ainda por vários segundos.
A inflação ocorrerá quando o "slider" se movimentar
para baixo das linhas e as células encherem-se
de ar. As coisas começam a ficar silenciosas
quando o velame infla. Mesmo embaixo de um
velame que infla devagar e suavemente, você
continuará a sentir a transição
de cair para deslizar. Você poderá igualmente
escutar o "slider" batendo sobre sua cabeça
quando ele descer. Quando se tornar mais consciente
destas sensações, você irá achar que seus
outros sentidos podem dizer tão sobre sua
abertura, se não mais, quanto os seus olhos
fazem. Logo você irá se sentir confortável
olhando para sua frente durante todo processo
de abertura, ao invés de olhar o velame mesmo.
Isso permite você olhar para outros pára-quedistas
e muitas pessoas acham que isso reduz as aberturas
fora do eixo também."Mas", você pode perguntar:
"se eu não olhar meu velame abrir, como eu
saberei se estou tendo uma pane?" Pegue um
conselho de quem já desconectou uma boa quantidade
de velames mal comportados, você provavelmente
vai saber prontamente se está tendo uma pane.
Eles tendem a serem sentidos bem diferentes
de uma abertura normal e você provavelmente
saberá que algo está errado antes de olhar
para cima.
Se você começar a contar depois de jogar seu
pilotinho e alcançar a "dois mil" ou "três
mil" sem sentir a força "snatch", tem um obvio
problema. Isso poderá ser um tempo aceito
para olhar pra trás sobre seu ombro e checar
por uma hesitação no pilotinho, ou pilotinho
preso.
Quando souber quantos segundos dura o "snivel"
usualmente em seu velame, você irá saber igualmente
se aquela parte da abertura está demorando
mais que o normal. Você poderá usualmente
sentir "twists" de linha prontamente, e se
você começa a girar selvagemente, certamente
irá desejar olhar para cima em seu velame
e ver o que está incomodando ele.
E se a abertura for sentida perfeitamente
normal? A menos que você precise evitar outro
pára-quedista prontamente, você deverá continuar
a olhar pra cima e checar seu velame logo
depois que ele infla. Você não poderá ver
um rasgo, uma linha partida, ou um problema
similar até olhar pra cima.
Mesmo nestas situações, se a abertura for
sentida normalmente, então o velame é provável
que esteja voando bem o suficiente para te
dar uma taxa de descida lenta.
Considerando que comandou a uma altura razoável,
você poderá ter tempo suficiente para fazer
o "check" funcional e executar o procedimento
de emergência, se necessário.
Se você vem olhando seu velame abrir todo
tempo, então você poderá não se sentir pronto
a parar o que vem fazendo durante seu próximo
salto, mas você deverá desenvolver melhores
hábitos o mais breve possível. Comece contando
quando joga seu pilotinho e verificando quanto
tempo cada seqüência de abertura demora. Preste
atenção para o que está ouvindo e sentindo
durante a abertura. Logo você não precisará
olhar todo o comando, e você estará hábil
para prestar mais atenção em seu corpo e em
seu entorno.
Melhorando sua posição corporal e aumentando
sua percepção quando comanda seu velame poderá
produzir bons resultados. Você poderá não
se lembrar de tudo deste artigo durante seu
próximo salto, mas ao menos pense sobre tentar
estas sugestões uma a cada vez, em seu próprio
passo. Você poderá ficar impressionado pela
diferença que pequenas mudanças podem fazer.
Sobre o Autor: Scott Miller trabalha na Freedom
of Flight Canopy School, em Skydive DeLand,
na Florida (www.freedomofflight.tv) e faz
canopy skills camps em outras zonas de lançamento
durante o ano. Ele já trabalhou em várias
zonas de lançamento como um instrutor AFF,
instrutor de tandem, fotográfo de queda-livre
e igualmente trabalhou como piloto de testes
para Performance Designs.
Texto: Scott Miller
Fotos: Marat Leiras
Fotografado: Jeff Gladish
Tradução: Eduardo de Mendonça
[ducamendonca@gmail.com]
Fonte: Skydiving Magazine, Volume
25, Número 7, Edição #295, Fevereiro 2006
Glossário:
Trim - Ângulo que o velame tem, determinado
pelo comprimento de suas linhas. As linhas
Dacron tendem a esticar com o tempo de uso,
e as micro-lines tendem a encolher. Por isso
que é necessário fazer reline no velame a
cada 300 saltos. E é por isso, também, que
é preciso trocar todas as linhas do velame
quando apenas 1 partir. A mudança do trim
afeta todo o desenho do velame, modificando
todo o seu desempenho e performance.
Força Snatch - Força de arrebatação.
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